Pedro Luís resgata o poeta do morro

Luiz Melodia é daqueles artistas que passei a valorizar um tanto tardiamente. Conquanto conhecesse  e apreciasse algumas de suas canções, demorei para ouvir com vagar seu repertório e, sobretudo, para prestar atenção em suas qualidades como intérprete, as mesmas cultuadas por uma figura da estatura do poeta e letrista Wally Salomão. Um ano depois de sua morte, o saudoso autor de "Pérola Negra" é homenageado em disco por Pedro Luís, no álbum Vale quanto pesa. Não se trata mais de lançamento recente, mas só agora pude ter acesso a essa obra, da qual, posso dizer, gostei bastante. Embora Pedro Luís, na minha avaliação, não acrescente muito em termo de interpretação, as canções de Melodia parecem ter sido feitas para sua voz. Gostei ainda dos arranjos, que, apesar de serem fiéis às versões originais, transmitem certa sofisticação. Composto basicamente por hits da carreira do homenageado, destacam-se no disco as versões das canções "Vale quanto pesa", que dá nome à obra, "Congênito", "Pérola Negra", "Estácio, Holly Estácio", "Abundantemente morte" e a inédita "Feto, poeta do morro", recuperada após ter sido censurada durante a ditadura militar e posteriormente esquecida pelo sambista carioca. Quem gosta de Luiz Melodia não vai se decepcionar com a homenagem feita por Pedro Luís. 

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