Há duas características bastante recorrentes na literatura conservadora apologética. A primeira é que, de regra, é de fácil leitura e compreensão, o que por si só não é um problema, mas uma virtude, uma vez que garante uma comunicação mais eficaz com seu público-alvo. No entanto, pude entender posteriormente que isso se deve sobretudo a uma simplificação, por vezes grosseira, das ideias abordadas, o que corresponde à segunda característica dessa literatura. A obra A grande mentira - expondo as raízes nazista da esquerda, de Dinesh D'Souza, comentarista político, escritor e cineasta indo-americano, não foge à regra. Adepto de superteorias conspiratórias, Dinesh tenta, em seu livro, demonstrar que o Nazismo e o Fascismo são fenômenos de esquerda, e que a esquerda conseguiu, aliada à Academia, à midia norte-americana e a Hollywood, construir a narrativa de que esses movimentos seriam de direita, desvirtuando a verdade, de modo a identificar patriotas, conservadores e cristãos - os reais antifascistas - como fascistas. O autor sustenta seu posicionamento a partir da comparação entre os regimes nazista e fascista e a política racista adotada pelo Partido Democrata. Nesse sentido, haveria mais semelhanças que diferenças entre o que ocorria em campos de concentração e de extermínio na Alemanha nazista e o que ocorria com os escravos negros no Sul dos Estados Unidos. Além disso, Dinesh destaca as mútuas simpatias entre ícones do Partido Democrata, como o ex-presidente Franklin Delano Roosevelt, e figuras como Mussolini e Hitler. Crítico mordaz da administração de Barack Obama, Dinesh é contra o Obamacare e ao aumento do poder de Washington em relação aos Estados da federação, o que seria, de acordo com ele, manifestações do fascismo esquerdista nos EUA, assim como foi o New Deal, no governo supostamente fascista de FDR. Para combater o crescente fascismo na América, o autor propõe estratégias para evitar a eleição de qualquer candidato democrata. Embora diga defender a democracia, o que sugere em seu livro são formas de evitar a diversidade no governo, nas casas legislativas, e no poder judiciário, instâncias que deveriam ser compostas apenas por representantes do Partido Republicano. Dinesh D'Souza é entusiasta da atual gestão de Donald Trump e vê a eleição de Jair Bolsonaro para presidente do Brasil como uma esperança para começar a purgar o esquerdismo da América do Sul. Tirem suas próprias conclusões.

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