Hoje retomei e concluí a leitura de Como funciona o fascismo - A política do "nós" e "eles", de Jason Stanley. Trata-se de uma leitura fundamental para quem deseja entender o que é e como opera a ideologia fascista. O subtítulo já entrega uma característica essencial do fascismo: a estratégia da divisão da sociedade, opondo um grupo de pessoas (nós), caracterizado positivamente, a outro (eles), que é desumanizado, demonizado até. O primeiro grupo é composto, de acordo com essa visão, por "cidadãos de bem", patriotas e trabalhadores. O segundo, por corruptos, traidores e parasitas. Essa retórica lhe é familiar?
A discussão ao qual o livro se propõe tem como pano de fundo a atual política norte-americana, que se inicia com a vitória eleitoral de Donald Trump. Embora seja esse o horizonte do autor, o modus operandi do fascismo, revelado nas suas 206 páginas, é também imprescindível para entendermos como a ideologia fascista também tem encontrado terreno fértil no Brasil desde a ascensão do Bolsonarismo. Este breve comentário não pretende, obviamente, substituir a necessária leitura do livro, por essa razão, não pretendo discorrer sobre os pontos abordados por Jason Stanley. No entanto, basta olharmos o índice para termos uma boa ideia do que será desenvolvido nas páginas seguintes. Os temas abordados são a crença no passado mítico, o investimento em propaganda contra o "inimigo", a defesa do anti-intelectualismo, a negação da realidade, o apreço à hierarquia, a postura de vitimazação, o amor à lei e à ordem e a ansiedade sexual. Quem não percebe a maioria desses sintomas se manifestando de forma preocupante no Brasil?

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