Apesar de nunca ter visto a arte e a cultura como um Ariano Suassuna, durante muito tempo só valorizava e consumia música em outras línguas se sua origem fosse brasileira. Por exemplo, se fossem canções populares em inglês, mas compostas por brasileiros. Ou fusões culturais ao estilo bossa-novista ou tropicalista, como é o caso do mangue beat. Isto é: era um ardoroso defensor de uma tradição musical brasileira, porém aberta a inovações resultantes do contato com outras manifestações culturais do mundo. Porém, desde 2012 meu interesse tem sido despertado para a produção musical estritamente estrangeira, sobretudo para o rock'n roll. Isso se deve, em parte, pelo acesso que tive a um livro sobre rock progressivo emprestado por um amigo, e o acesso fácil a discografias inteiras por meio de sites e programas de compartilhamento de arquivos mp3. A partir dessa iniciação, passei a ouvir com atenção muitos artistas solo e bandas, e acabei sendo capturado por um artista e por uma banda em especial: Freddie Mercury e o Queen. Finalmente assisti ao filme Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer, sobre a carreira desse que é um dos maiores vocalistas da história do rock. Lançado em 2018, o filme não é exatamente a biografia de Freddie, uma vez que pouco revela sobre sua infância e adolescência. Já somos apresentados a um Freddie Mercury adulto, que logo se une a uma desconhecida banda, a Smile, depois da saída do vocalista. Esse é o ponto de partida para acompanharmos a evolução do artista, e a conversão de uma banda universitária em um dos maiores fenômenos musicais do mundo. Nesse trajeto, conhecemos a personalidade de Freddie, sua vida desregrada, os conflitos com os integrantes da banda, a infecção pelo HIV. Esses eventos, no entanto, não são o foco do filme. Seu foco é a música, a "música de desajustados feita para desajustados", os ousados experimentalismos, a inexplicável energia dos shows, os talentos individuais e a poderosa voz de Freddie Mercury. O filme não apresenta grande carga dramática, presente em tantas obras biográficas que mais parecem hagiografias. Confesso, no entanto, que a música do Queen e as performances de Freddie ao vivo já são suficientes para me emocionar bastante. A propósito, o ator Rami Malek se sai muito bem no papel do protagonista. É um ótimo filme para fãs da banda, como eu.

Comentários
Postar um comentário